Canta del-Rei - Festival de Corais

9º Canta del-Rei

AGUARDEM EM BREVE UM NOVO HOMENAGEADO PARA O
JACOB DO BANDOLIM9° CANTA DEL REI

JACOB DO BANDOLIM

Acervo

Coleção  Jacob do Bandolim no Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro

Coleção de 35 cadernos manuscritos de choro

Em 2004, em visita a Coleção Jacob do Bandolim, no MIS/RJ, os diretores do IJB, Bruno Rian, Pedro Aragão e Sergio Prata, localizaram 35 cadernos de partituras manuscritas, que pertenciam a antigos chorões, e que foram  reunidos e arquivados por Jacob do Bandolim.

O acervo está catalogado em fichas ordenadas em ordem alfabética pelo nome da música. Essas fichas são catalogadas com os seguintes códigos de identificação de partituras, criados por Jacob do Bandolim:

PMJ – Partituras Manuscritas por Jacob

PM – Partituras Manuscritas

PMH – Partitura Manuscrita Horizontal

PMV – Partitura Manuscrita Vertical

PX – Partitura Xerox

PI – Partitura Impressa

O trabalho de identificação e digitalização desses cadernos foi coordenado pela violonista e pesquisadora Anna Paes, representante do Instituto Jacob do Bandolim, que produziu o relatório que se segue.

Após pesquisar o conjunto de fitas que se encontrava com a família Bittencourt, o IJB descobriu gravações que continham apenas a participação de um conjunto tocando choros, sem a presença do solista.  Através de um trabalho de pesquisa com os músicos que tocaram com Jacob, comprovou-se que tais gravações eram as bases  de LPs importantes do bandolinista, no início da década de 60.

Verificou-se que no processo de gravação de seus LP’s na RCA Victor, no início da década de 60, Jacob gravava primeiro o acompanhamento instrumental e muito embora tivesse totais condições para “colocar” o bandolim naquele momento, Jacob optava por levar para casa a fita com o acompanhamento das musicas que iria gravar,  e ficar martelando dias a fio, ensaiando com o gravador, para chegar o mais perto possível, daquilo que julgava ser a forma final de seu solo.

Nesse momento, ele ligava para a gravadora e marcava a sessão para gravar o solo. O resultado desse processo foram gravações perfeitas, com detalhes inigualáveis. O acompanhamento foi feito por músicos de importância fundamental na história do choro tais como Dino, no violão sete cordas; César Faria e Carlinhos Leite, nos violões, Jonas Silva, no cavaquinho e Gilberto, no pandeiro, grupo que receberia anos depois o nome Época de Ouro.

Ocorre que ao serem descobertos, essas bases instrumentais (playbacks) revelam um outro aspecto de imenso valor: os segredos do acompanhamento ainda sem a presença do bandolim-solo de Jacob que ao ser sobreposto na edição final,  escondia,  involuntariamente, certos detalhes agora revelados  de forma inédita.

Surgem a cada frase novas linhas sonoras produzidas pelo encadeamento dos violões – o Época de Ouro era o único grupo que utilizava três violões, dois de seis e um de sete cordas –  ; os desenhos rítmicos produzidos pelo cavaquinho, pandeiro e percussão, além do perfeito entrosamento, fruto de horas e horas de ensaio comandadas por Jacob, formando um documento de personalidade própria, independente da gravação original, permitindo a sua utilização como matéria prima refinada no ensino musical do Choro.

Cada sigla desta corresponde a um determinado número de pastas. Além dessas, existem uma série de outras pastas que não estão catalogadas por fichas, se encontrando, portanto, fora do alcance do grande público, pois acabam passando desapercebidas por quem realiza a procura a partir das fichas.

Pastas com documentação não cadastrada por fichas

Pastas de Cadernos de Partitura (cadernos de manuscritos de antigos chorões):

Pastas “Ernesto Nazareth”

Pastas de manuscritos de arranjos orquestrais (PMO):

Pasta (01) com álbuns de Choros impressos: em sua maioria arranjos e orquestrações de músicas de Jacob.

Pasta (01) contendo 33 mini-fotografias de partituras: dos mais variados autores como Bonfiglio de Oliveira, Candinho e o próprio Jacob. Provavelmente trata-se de um indício das mais de 2.000 partituras microfilmadas porJacob e que se encontram desaparecidas até hoje.

Pasta (01) de partituras heliográficas: em sua maioria de partituras impressas para piano.

Pastas (02) contendo arranjos manuscritos de clássicos para o violão: dos mais variados autores: Albeniz, J.S. Bach, Chopin, Schumann, Villa-Lobos entre outros.

Pasta “Diversos Artistas” : contém várias cópias da famosa carta de Jacob a Radamés agradecendo a suíte Retratos.

Pasta “Edições Jacob”: contendo um fascículo do jornal O Globo referente a novidades fonográficas.

Resumo geral das partituras existentes no ARQUIVO DO JACOB

Partituras em Xerox (PX): 201 músicas divididas em 5 pastas;

Partituras manuscritas (PM): 2250 músicas divididas em 13 pastas.

Observação importante: na seqüência de partituras há uma lacuna entre os números 600 e 1000, ou seja, não foram encontradas essas 400 partituras;

Partituras Manuscritas por Jacob (PMJ): 618 partituras (5 pastas)

Partituras Manuscritas na Horizontal (PMH): 1495 partituras (10 pastas)

Partituras Manuscritas na Vertical (PMV): 1077 partituras (7 pastas)

Partituras Impressas: 508 partituras (13 pastas)

Pastas de Cadernos de Partitura (cadernos de manuscritos de antigos chorões): Contém 34 cadernos de partituras manuscritas por antigos chorões, no período do final do século XIX até meados do século XX, tais como Candido Pereira da Silva “Candinho”, Patrocínio Gomes, Arlindo Nascimento, Quintiliano Pinto, etc, recolhidos ou “herdados” por Jacob.

A importância desses cadernos, praticamente desconhecidos, pois não estão registrados nas fichas do Arquivo, reside no fato de que, naquela época a forma de divulgação e preservação dos Choros, principalmente os não impressos (que não foram gravados ou editados) eram  esses cadernos pertencentes aos músicos que tinham conhecimento musical e sabiam transpor as melodias executadas na roda de Choro para a pauta. Dessa forma, garantiram a preservação de milhares de Choros que poderiam estar irremediavelmente perdidos no tempo:

Caderno 1: Nestor S. Cauby – 1887

Caderno 2: Candinho – 1911

Caderno 3: Quintiliano Pinto -1912 (Obs: irmão de Alexandre Gonçalves Pinto)

Caderno 4: J. Marinho – sem data

Caderno 5: J. S. Cauby – sem data

Caderno 6: Junior S. Cauby – 1915

Caderno 7: Junior S. Cauby – 1915

Caderno 8: Candinho – 1917/1919

Caderno 9: Candinho – 1917/1922

Caderno 10: J.S. Cauby – 1932/35

Caderno 11: J.S. Cauby – 1935

Caderno 12: Arlindo Nascimento – 1939/52

Caderno 13: Patrocínio Gomes – 1941/1942

Caderno 14: Patrocínio Gomes – 1941/42

Caderno 15: Patrocínio Gomes – 1942

Caderno 16: Arlindo Nascimento – 1943/48

Caderno 17: “Coletânea de Música – Propriedade de Patrocínio Gomes”

Caderno 18: Albertino Aguiar (Bisoga) – 1944

Caderno 19: Gustavo Ribeiro – 1946

Caderno 20: Arlindo Nascimento – 1947

Caderno 21: Arlindo Nascimento – 1947/48

Caderno 22: Arlindo Nascimento – 1948

Caderno 23: Patrocínio Gomes – 1948

Caderno 24: Arlindo Nascimento – 1948/1959

Caderno 25: Patrocínio Gomes – 1949

Caderno 26: Arlindo Nascimento –1950/58

Caderno 27: Arlindo Nascimento – 1951/1953

Caderno 28: Arlindo Nascimento/ Manuel Pedro do Nascimento – 1959

Caderno 29: Arlindo Nascimento – 1960

Caderno 30: Arlindo Nascimento – 1960

Caderno 31: Arlindo Nascimento – 1962

Caderno 32: Arlindo Nascimento – 1963/66

Caderno sem numeração (33): de capa azul, contendo Ave-Marias e outras músicas sacras de diversos autores, entre eles Francisco Braga;

Caderno sem numeração (34): sem capa, muito antigo, contendo inúmeros manuscritos de choros.

Pastas “Ernesto Nazareth”: com material referente a este compositor, em sua quase totalidade músicas impressas para piano com 165 partituras impressas para piano divididas em 4 pastas.

Partituras Manuscritas Orquestrais (PMO): 62 arranjos de Radamés, Pixinguinha e outros, sendo a maioria músicas que Jacob gravou em seus discos com orquestras.

Conclusão: No total temos 5.976 músicas, sem considerarmos as partituras existentes nos Cadernos de Partituras, que estimamos algo em torno de 1200 músicas.

Fitas Magnéticas de Rolo

No Arquivo do Jacob no MIS/RJ estão 122 fitas magnéticas de rolo onde Jacob registrou os famosos saraus e ensaios realizados em sua casa, em Jacarepaguá, mas que há várias décadas estavam impossibilitadas de serem ouvidas pelo público, dado o avançado estado de deterioração.

Na gestão do maestro Edino Krieger, foi firmado um Termo de Cooperação com o Museu da Imagem e do Som, onde o IJB assumiu a recuperação e digitalização desse valioso acervo, concluída em maio de 2006.

O projeto, totalmente custeado com recursos do IJB, contemplou a transposição do conteúdo das fitas para CDs e a edição de um Catálogo Geral para consulta, o que resultou numa coleção de cerca de 200 cds.